A Tua Paixão Não Tem Que Ser o Teu Trabalho

Nem o teu trabalho a tua paixão.

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By Catarina Alves de Sousa, Blogger


Se estás agora a terminar um curso superior ou se terminaste um há pouco tempo, provavelmente a pergunta que tens ouvido mais frequentemente é “O que vais fazer agora?” ou “Qual é a tua paixão? Em que é que queres trabalhar?”

Para muitos recém-licenciados estas podem ser perguntas lógicas, mas muito intimidantes.

O conceito de “perseguir a nossa paixão” persegue-nos, por sua vez, desde a infância (“O que queres ser quando fores grande?”), mas a pressão social para o fazermos nunca foi tão palpável como nesta fase da vida.

Existe muito a ideia que assenta no pressuposto de que temos que ir atrás da nossa paixão (ou da nossa ideia de paixão) e de transformá-la no nosso emprego de sonho, caso contrário falhamos redondamente na vida. Há lá ideia mais castradora para a nossa vida profissional?

Mas… e quem não sabe ainda quais são as suas paixões? Há também essa hipótese… Qualquer que seja o teu caso, devias ouvir a Ted Talk da Terri Trespicio intitulada “Stop searching for your passion”. No meu livro “Licenciei-me… e agora?” tenho também um capítulo - “Não persigas (apenas) a tua paixão” - dedicado a esta questão.

No caso da Terri Trespicio, ela conta que após terminar o seu curso, estava em casa a ver empregos e rejeitou alguns potencialmente muito bons só porque não eram a sua paixão. O problema é que ela não sabia exactamente qual era a sua paixão. Nem toda a gente sabe. Mas contrariamente àquilo em que a sociedade tenta fazer-te acreditar, isso não tem mal nenhum e eu explico-te porquê. Ou melhor, vou deixar a Terry Trespicio explica-te:

“A paixão não é um plano, é um sentimento”

Nessa altura em que a Terri andava a ver empregos, a razão pela qual não queria aceitar nenhum era simplesmente o medo. Medo de ficar “presa” a um emprego que não a apaixonava nem motivava a sair da cama. Então, a sua mãe, um dia disse-lhe sem quaisquer rodeios:

- Tens medo de ficar presa? Presa estás tu agora!

De facto, quantos de nós nos auto-impedimos de perseguir algo só porque não se insere dentro da nossa caixinha de paixões (quando temos uma)? Falo especificamente de empregos.

Hoje em dia - felizmente - o panorama económico do país está bem melhor do que há uns anos atrás em plena crise económica (coincidentemente, o período em que fiquei desempregada, 2012-2013) e já nos podemos dar ao “luxo” de sermos mais seletivos com os empregos que aceitamos, mas se por acaso te encontrares numa situação de escassez de empregos interessantes, considera isto: aceitar qualquer emprego que te faça sentido, mesmo não sendo algo que escolherias à primeira vista.

Porquê? Por duas razões.

A mais óbvia: porque praticamente qualquer emprego é melhor que nenhum e todos (salvo muito raras exceções) precisamos de trabalhar para garantirmos a nossa independência o nosso sustento e a nossa qualidade de vida. Trabalhar por dinheiro (= sustento) é uma razão tão boa como qualquer outra.

A segunda razão prende-se apenas com a aventura e a aprendizagem. Quer isto dizer que, ao nos candidatarmos e, posteriormente, aceitarmos um emprego que foge à nossa lista de paixões (quando empregos ligados às mesmas escasseiam), estamos realmente a pensar - e, mais importante ainda, a agir - fora da caixa. Quem nos diz que, apesar de termos estudado Jornalismo e fantasiado com todo um futuro que passa por redações, não gostaremos se calhar até mais de trabalhar numa agência de comunicação?

Há coisas que nunca descobriremos se não arriscarmos e se não nos deixarmos cegar por aquela que achamos que é a nossa paixão.

Claro que isso não significa que não vais poder trabalhar naquilo de que gostas neste momento! O que quero dizer é que deves manter as tuas opções em aberto para coisas que nunca antes consideraste como emprego “válido” para ti.

Dei o exemplo do Jornalismo e da Comunicação/Marketing porque é esse o exemplo a título pessoal que tenho para te dar. Eu achava que queria ser Jornalista porque, afinal, escolhi tirar um mestrado em Jornalismo, mas quando fiquei desempregada em plena crise económica vi-me forçada a disparar candidaturas de emprego em todas as direções; aceitaria qualquer coisa honesta e que pagasse o mínimo suficiente para sobreviver. E então descobri a Comunicação e o Marketing. E sabes que mais? Nunca saberia que era nisto que queria trabalhar se não tivesse arriscado e aceitado um trabalho que, à partida, não recaía na lista das minhas paixões.

Por isso, o meu conselho é este: se estás a acabar um curso universitário ou se já terminaste mas estás na fase de entrar no mercado de trabalho, não te prendas demasiado àquilo que achas que são as tuas paixões. Acredita em mim, tudo pode mudar. As coisas que te fascinam hoje, poderão não te dizer nada amanhã.

As paixões são voláteis e, na grande maioria dos casos, efémeras.

Arrisca, experimenta, arranja novas paixões, arranja muitas paixões em simultâneo até, quer trabalhes nessas áreas, quer decidas transformá-las em hobbies. Diverte-te a descobrir aquilo que te faz querer sair da cama mal o despertador toca, torna-te uma autêntica esponja de conhecimento e experiências e aprende o máximo que puderes no processo.

 


 
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Catarina Alves de Sousa é portuense de gema, orgulhosa das suas origens nortenhas, eternamente apaixonada pela sua cidade e pelos seus mistérios, mas mantendo uma relação extraconjugal com a capital há mais de uma década. É formada em jornalismo, blogger, escritora e trabalha em Comunicação e Marketing. Quando não está a sonhar acordada e a viver nos mundos paralelos resultantes da sua enorme imaginação adubada pela literatura fantástica e pela música, está ocupada a ser daquelas pessoas que se metem em tudo e que criam mil e um projectos porque acredita que as ideias não devem começar e acabar no papel e que nunca se sabe se algo vai realmente funcionar até se experimentar. Desta crença e deste modo de vida nasceram os projectos NatusPurus (cosmética natural), Bloggers Camp, Joan of July Photography e onde tudo começou, o blog Joan of July.