Compaixão, Felicidade e Propósito

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By Raquel Comprido, CEO da Right Buddy


Porque somos mais do que aquilo que temos.

“A vida tem de ser muito mais do que isto.", pensamos nós, de quando em quando.

Isto acontece quando nos começamos a aperceber que existe um vazio na nossa vida. Solidão ou independência? Compaixão ou indiferença? Eis a questão.

Sofremos uma espécie de epidemia de "falta sempre qualquer coisa". E se, uns têm sede de infinito e sentem sempre que ainda falta qualquer coisa, outros tantos afogam-se na monotonia da vida e vivem como robôs, dia após dia.

Quantos são aqueles que se tentam mentalizar que a felicidade se faz segundo os parâmetros que nos foram incubidos: ter emprego, dinheiro, carro, casa? E até pode fazer, se for isso que nos faz felizes. Mas será?

Falar-vos de compaixão é, para mim, falar-vos de felicidade. Porque elas andam de mãos dadas. Afinal, passamos toda a nossa vida (direta ou indiretamente) à procura da felicidade. Da descoberta da resposta às duas questões primordiais da nossa existência: quem somos e o que fazemos aqui.

Será que ter compaixão é ser-se feliz? O que é então a felicidade?

É ter saúde, dinheiro, família? É ter a gaveta cheia de sonhos? São as pequenas coisas? É ter o coração cheio? É ter amigos? É ter encontrado o amor da nossa vida? É liberdade?

Sempre fui uma pessoa inquieta por natureza. Costumo dizer que a minha vida dava um livro. Dois ou três.

Falar-vos sobre mim é falar-vos de uma montanha-russa de emoções e acontecimentos que nem eu sei bem como se interligam entre si.

Aprendi a aceitá-los como parte do percurso, como paragem obrigatória para chegar às questões-chave da minha existência: quem sou e o que faço aqui.

Sou a Raquel. Tenho 29 anos, um blog e uma agência de marketing focada na responsabilidade social, a Right Buddy. Sou uma viajante incurável, uma colibri e uma mulher que tenta ser a diferença que quer ver no mundo.

Apaixonada por comida saudável, teimosa e persistente, professora nas horas vagas e voluntária sempre que o meu coração assim o dita.

Uma go-getter que tem o google e um programador como melhores amigos, que fala português, inglês e espanhol e quer continuar a dar aulas de Inglês a vida toda, mas pelo mundo e em regime de voluntariado.

E, foi no voluntariado que descobri parte das linhas com que se cose a minha felicidade.

À parte disso, acredito que só quem quer mudar o mundo pode realmente fazê-lo.

Sei que parece mais fácil olharmos para o lado quando vemos alguém a precisar de ajuda! Sei que é mais simples se pensarmos que tudo começa nos nossos governantes e que sozinhos não iremos mudar o mundo. Concordo com tudo isso.

Mas também sei que, se cada um fizesse um bocadinho todos os dias, o mundo era um lugar bem mais consciente, harmonioso e melhor. Um pouco de compaixão pelo próximo, pode sim mudar o mundo, uma pessoa de cada vez.

O mundo é de quem sonha, é de quem faz tudo com muito amor, é de quem é diferente e é de quem sabe a sua missão.

E a minha missão é esta: ajudar e fazer as pessoas felizes. Ser a diferença que sempre quis ver no mundo e torná-lo num cantinho (um bocadinho) melhor.

 

O voluntariado e a Right Buddy 

Tenho (entre tantas outras), duas paixões assolapadas: a escrita e o voluntariado. Percebi que não queria dar aulas no ensino tradicional. Queria que as minhas aulas tivessem um propósito maior. Queria dar aulas pelo mundo, a crianças que precisassem mais de mim.

E foi aí que tudo começou a fazer sentido e criei uma agência que já nasceu para não ser uma agência comum: a Right Buddy. A primeira agência portuguesa com foco na responsabilidade social. Uma agência de comunicação, web design e marketing digital que doa 10% do lucro de qualquer projeto realizado a uma causa social que o cliente escolhe. E que, paralelamente, cria projetos com impacto social positivo.

A Right Buddy é fruto da minha vontade de tornar o mundo num lugar melhor e de acreditar que juntos podemos efetivamente fazê-lo. A Right Buddy será também a casa ideal para quem quiser ter o voluntariado como parte integrante do seu trabalho e facilitará a todos trabalhar a partir de qualquer parte do mundo, já que o digital assim o permite.

Porque acredito que somos muito mais felizes se dermos e recebermos. Porque acredito que o voluntariado não é, só, o nosso contributo ao outro, mas também, o que outro nos permite descobrirmos sobre nós. É algo que impulsiona o nosso crescimento pessoal. É deixar o coração à larga e tornar o “ajudar o outro” no nosso mantra para todos os dias, sem esperar nada em troca, a não ser o bem que isso nos fará.

Voltei do Uganda (em Abril) e da Tailândia e do Camboja (há duas semanas) muito mais rica do que fui. E essa riqueza em mim, é bem maior que a riqueza que por lá deixei. No Uganda, dei aulas de Inglês a crianças e ajudei mulheres a impulsionarem os seus negócios. Já na Tailândia e no Camboja, dei aulas de Inglês, limpei praias e ajudei a construir casas para as comunidades.

E se, aos teus olhos, pode parecer muito, aos meus parece sempre muito pouco. Porque a verdade é que são coisas que qualquer pessoa pode fazer. Basta querer.

Para mim o voluntariado é (também) sobre mim. Sobre a minha missão no mundo e sobre o poder que ele tem dentro de mim. Abre-me o horizonte, faz-me sentir completa, regresso sempre cheia de amor no coração e com a vontade de regressar. Faz-me perceber que podemos ser felizes com tão pouco.

E isso leva-me a terminar imediatamente como comecei, deixando-te o desafio de responderes a estas quatro questões: Quem és? Qual é o teu propósito de vida? Com que linhas se cose a tua felicidade? Como cultivas a compaixão pelo outro?


 
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A Raquel (mais conhecida como Kéké) é a CEO da Right Buddy, a 1a agência portuguesa focada na responsabilidade social. É apaixonada por comida saudável, animais e pelas pequenas coisas da vida. Tem um blog de lifestyle, onde escreve textos motivacionais e reviews de restaurantes em formato de histórias de amor. Além disso, é professora de Inglês nas horas vagas, mas fá-lo pelo mundo e em regime de voluntariado. Podes conectar-te com a Raquel aqui.