Educação 4.0: O Futuro está ao Virar da Esquina!

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By Ana Azevedo, Creative Dreamer & Problem Solver


Provavelmente todos nós, ou pelo menos a grande maioria, já ouvimos falar de “Indústria 4.0”, a nova expressão da moda no mundo económico e empresarial que se refere a um novo paradigma de desenvolvimento tecnológico. Então, antes de mais, importa esclarecer o que significa “Indústria 4.0”: um novo paradigma tecnológico para a digitalização e automação do ambiente de produção, que inclui o design, a produção, operação e manutenção de sistemas e produtos, através da implementação de sistemas interligados que permitam a conexão e cooperação entre pessoas, máquinas, equipamentos, sistemas logísticos e produtos. Também inclui soluções digitais que responderão às necessidades cada vez mais emergentes de personalização de produtos e serviços com base no acesso e processamento de dados na criação de novas cadeias de valor, novos modelos de negócios e novas tecnologias.

Como podemos ver, toda esta conceção do futuro é baseada no desenvolvimento tecnológico e de processos digitais e parece exigir uma adaptação dos nossos sistemas educativos a esta 4ª revolução industrial.

Isto torna-se ainda mais importante se tivermos em conta que 85% a 90% dos empregos irão exigir competências digitais até 2020.

Não podemos por isso, pensar a tecnologia isolada das relações sociais em que está inserida e por isso precisamos entender o contexto em que as gerações crescem e as mudanças políticas e sociais a que estão sujeitas, para que possamos entender o que as motiva e o que são capazes de oferecer.

Se a geração mais importante no mercado de trabalho atual, a geração Millennial, é uma geração com várias características distintas, especialmente no que diz respeito ao trabalho e à aprendizagem, é plausível supor que essas mesmas características afetarão a forma como essa geração se adaptará ao mercado de trabalho e consequentemente à educação e à aprendizagem. Esta é a geração que nasce e cresce numa era em que a criança é vista como um símbolo positivo e central nas narrativas sociais. Embora sejam designados por nativos digitais, eles são simultaneamente uma geração mais convencional na qual o ressurgimento de um universo retro ocorre. A maneira como os Millennials aprendem está também a mudar, há um foco na aprendizagem digital e fronteiras muito ténues entre aprendizagem, diversão e lazer, o que nos obriga a refletir sobre as mudanças nos processos de ensino-aprendizagem e inevitavelmente nas repercussões inerentes aos sistemas educativos.

O relatório "The Future of Jobs" do Fórum Económico Mundial analisou o mercado de trabalho e as suas competências e concluiu que em 2020 será necessário que todos os profissionais sejam proficientes nestas competências: resolução de problemas complexos, pensamento crítico, criatividade, gestão de pessoas, trabalho em equipa, inteligência emocional, tomada de decisão, orientação para serviço, negociação e flexibilidade cognitiva.

Todas estas mudanças levam a uma mudança mais ampla, chamada também de disruptiva, tanto pelo seu tamanho quanto pela velocidade com que já está a acontecer, exigindo que a sociedade e os trabalhadores se adaptem ao longo do tempo. Para que isto aconteça, será cada vez mais necessária e fundamental uma aprendizagem ao longo da vida, onde as competências terão uma natureza integradora, entendidas como conhecimento em ação, de natureza diversa, mobilizadas de acordo com o contexto e as exigências da situação.

Acreditamos que esta mudança disruptiva, por si só, exigirá uma educação disruptiva, rompendo com o modelo tradicional de transmissão de conhecimento e utilizando uma metodologia que adote um modelo de aprendizagem inclusiva, aberta, onipresente e personalizada. Este processo de aprendizagem personalizado implica que o aprendente seja responsável pela gestão do seu próprio processo de aprendizagem, onde um esquema igual, rígido e hierárquico deixa de fazer sentido. Passamos de um modelo hierárquico, baseado na figura do líder, para um modelo “redárquico”, um modelo organizacional que surge como resultado de relações participadas e fluxos de atividades gerados em ambientes colaborativos onde as relações estabelecidas são de natureza horizontal.

O surgimento deste modelo organizacional, com implicações diretas no contexto educacional e da formação profissional, pode ser explicado pelo contexto de crescimento económico experimentado pelos Millennials, juntamente com hierarquias menos rígidas e acesso rápido e fácil à informação. A adoção de um modelo disruptivo abre espaço para novas alternativas de aprendizagem, extinguindo o currículo atual e predominante, as atuais metodologias e modalidades de transmissão do conhecimento, levando a uma abordagem aberta, integradora, holística e globalizante, construindo novas formas de organização do conhecimento, promovendo o desenvolvimento de um pensamento abrangente, sistémico e transdisciplinar.

Essa mudança de paradigma também se justifica pelo facto da educação a serviço dos objetivos económicos fazer cada vez menos sentido num contexto marcado pela incerteza e imprevisibilidade, onde a eficácia da educação, em profunda desarticulação com o contexto social circundante, num contexto atual marcado por rápidas mudanças tecnológicas, novos modelos de criação de valor e colaboração entre comunidades globais, novos mercados e novos consumidores, onde a rede se torna uma poderosa plataforma de colaboração suportada por redes sociais e onde cada indivíduo é a obra-prima do seu próprio processo educativo.


 
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A Ana considera-se escritora porque essa é a sua essência. Já foi trabalhadora do setor privado em diferentes empresa e editora de uma Agenda Cultural nas horas vagas. Hoje em dia decidiu seguir aquilo que sempre a apaixonou e dedicou-se a investigar coisas modernas porque quer construir paradigmas novos e nas horas vagas que não tem dedica-se a fazer acontecer: sejam leituras no Hospital, CreativeMornings no Porto ou TedTalks a Norte.