Empoderamento, O Segredo dos Super-Humanos

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By Filipa Larangeira, CEO & Founder @ Newmanity


Eu empodero-me. Tu empoderas-te. Nós empoderamo-nos.

Dizem que a educação pode mudar o mundo e eu não poderia estar mais de acordo.

A questão que se impõe é: que caminho pedagógico e que conteúdos formativos nos podem preparar para mudarmos o mundo?

Se formos analisar o estado actual e correlação entre educação e empresas, há um longo caminho a percorrer.

Se por um lado têm um denominador comum pouco animador, a da evidente desmotivação e desnorte dos que estudam e trabalham, por outro educação e trabalho parecem um daqueles casais com uma relação disfuncional: não comunicam, não se tocam mas também não querem abordar o tema.

Abordemo-lo agora, pelo menos, comecemos a percorrer juntos esse caminho.

O sistema de ensino está tão partido quanto a maior parte das culturas empresariais e por mais que se tente remendar com medidas cosméticas (como nomes de mestrados sonantes ou mesas de ping pong), estas só aceleram a implosão eminente.

Quem me conhece sabe que sou tudo menos fatalista, mas basta estarmos atentos ao que dizem estudantes do ensino universitário para perceber o seu desnorte e revolta com o pouco retorno do investimento em propinas que fazem. A sintomatologia agodiza por vivermos num mundo inundado de informação, pelo que sentem que aquilo que aprendem é facilmente ultrapassado por uma pesquisa no Google.

A lei neste ponto também não ajuda impondo uma enorme limitação ao nível do corpo docente que, numa esmagadora maioria tem de ser composto por professores que se dediquem em exclusivo à carreira académica vedando assim o acesso, a pessoas com experiência prática nas matérias leccionadas.

Acredito na força da colaboração e questiono se as universidades e as empresas não estariam muito melhor servidas se se unissem, juntando teoria e investigação, a experiência e inovação?

Há ainda o factor maturidade e a má gestão de expectativas feitas pelas Universidades.

Na grande maioria dos recém-licenciados ou recém-mestrados (caso de Bolonha) é notório o desconhecimento da realidade laboral e incapacidade crítica para juntarem conceitos teóricos a problemas reais. Assim e, em regra, um estudante universitário representa um enorme investimento por parte das empresas que realmente pretendem desenvolver esses novos trabalhadores.

Depois temos o segundo factor acima mencionado: muitas universidades, sobretudo as que constam de lugares cimeiros dos rankings, pecam por empolar os egos dos seus estudantes. Compreendo que devemos motivar as pessoas e fazê-las acreditar nas suas capacidades mas nunca se isso gerar arrogância perante o trabalho já desenvolvido pelas organizações e por colegas mais experientes.

Desafiar o status quo é bom e pode ser catalisador de mudança, mas essa mudança faz-se mais de consensos do que de rupturas radicais.

Não serão seguramente as palavras ou os livros que nos ensinam as competências e muito menos valores, os quais são de suma importância num mundo que se quer mais humano. Só desse modo podemos vencer a automação.

Sejam eles professores ou alunos, a meu ver o ser humano só aprende quando reunidos cinco requisitos essenciais:

  • A  experiência de quem ensina e a experimentação de quem aprende. Na verdade a pedagogia moderna demonstra como apreendemos melhor conceitos depois de os vermos materializados na realidade que conhecemos.

  • A posterior passagem dos conteúdos apreendidos a outrem (o aluno passa a formador)

  • Se os conteúdos sobre os quais está a aprender forem ancorados em áreas do seu interesse (aprender a “brincar” ou motivado por algo que desperte interesse)

  • Se houver respeito pela forma de aprender de cada um. Somos todos “estrategicamente” diferentes para que em conjunto solucionemos problemas comuns. Deste modo viemos equipados com “features” diferentes, as quais devem ser não só respeitadas como valorizadas (ex: ritmos e processos de aprendizagem individuais).

  • Se quem ensina tiver verdadeiro amor por ensinar. Quantas vezes adormecemos ou amaldiçoamos professores que apenas leccionavam para auferir um salário ao final do mês ou alimentar as suas motivações pessoais?!

Confesso que relembro sem saudade os anos penosos que passei na licenciatura de Direito.

Creio que nunca me senti tão pouco capaz e o quanto isso abalou a minha auto-confiança.

Foram precisos muitos anos para a recuperar e compreender que o problema não estava em mim mas antes num sistema profundamente standardizado que, maioritariamente permeia, a memorização de verdades herméticos e pouco susceptíveis de serem debatidas.

Raros foram os professores que nos estimulavam o pensamento crítico e autónomo mas os que o faziam ganhavam de imediato a nossa imensa admiração e compromisso.

Um deles guardo com carinho e reencontrei-o recentemente num restaurante. Dirigi-me a ele para o felicitar pelas suas qualidades como Professor (com “P” grande).

Lecionava a cadeira de Direito Penal e graças a ele escolhi a especialização na área forense, por me ter inesperadamente apaixonado pelos meandros da criminalidade :)

O que distinguia o Professor Germano Marques da Silva dos outros? Muita experiência e muito amor pelo ensino, por passar para os outros aquele que apreendeu.

É também um pensador autónomo que questiona o status quo e promove isso nos alunos, o que é sem dúvida de louvar.

O mesmo sucede na escola do meu filho. Tomei recentemente conhecimento do conteúdo das suas aulas de Filosofia e fiquei tão agradavelmente surpreendida que pedi para participar numa. Ali não há certos, nem errados e muitas vezes nem sequer há consensos.

Apenas tem de se praticar escuta activa, emitir a sua opinião crítica e fundamentada (com direito a ser alterada) e respeitar as perspectivas alheias.

Em todos nós reside um aluno e um professor - ainda que adormecidos - mas temos de ter a humildade de perceber quando devemos encarnar um e outro.

Como mãe de uma criança de 6 anos são inúmeras as vezes em que me questiono quem é que está a ensinar a quem…!?

Acredito que no futuro - já aqui tão perto - seremos tanto mais felizes e bem sucedidos quanto melhores professores existirem, mais desenvolvermos a nossa curiosidade natural para aprender - sem limite de idade - e o entusiasmo pelas mudanças que ocorrem no mundo.

Para além das competências já identificadas pelo Fórum Económico Mundial como sendo as ferramentas do futuro, eis a minha proposta de áreas fundamentais para o empoderamento individual:

  • Dando sempre primazia ao desenvolvimento do bem-estar físico, mental e emocional. Sem este pilar essencial, não temos qualquer capacidade de aprendizagem ou contribuição.

  • Aprofundamento do nosso auto-conhecimento e inteligência emocional para que saibamos quem somos, o que queremos e como nos relacionarmos com os demais.

  • Construindo comunidade de aprendizagem positivas, diversificada e que partilhem dos mesmos valores. Neste sentido poderemos ter mentores, professores, pares e fontes de informação fidedignas que nos aportem diferentes perspectivas.

  • Pensamento crítico, mentalidade progressiva e orientada à solução. Significa isto que passamos a encarar a vida como uma escola na qual nada é certo ou errado, apenas uma entusiasmante possibilidade.

  • Foco no desenvolvimento de algumas áreas e aquelas que nos suscitam interesse.

Jugo muito mais produtivo sermos muito bons naquilo de que gostamos do que sermos medíocres ou infelizes em algo que fazemos com esforço. Para quê? O que estamos a tentar provar? Que somos capazes, ou perfeitos? Acho que somos apenas ineficientes porque se deixarmos aquilo que não gostamos para quem gosta, passamos a ter a magia da colaboração.

Por outro lado é importante afastarmo-nos da especialização excessiva, a qual nos torna muito passíveis de substituição assim que nova competência é necessária. Assim o futuro pertence aos “generalistas especialistas” (Daniel Pink), ou seja, aqueles que souberam identificar e desenvolver os seus talentos.

  • Privilegiar áreas criativas, inerentemente humanas e não sequenciais ( desenvolvidas pelo hemisfério esquerdo do cérebro) as quais serão rapidamente substituídas pelas máquinas.

Por último justificar porque prefiro a palavra “Empoderamento” à de “Educação”.

A primeira é dinâmica, sábia, colaborativa e aberta. A segunda soa-me sempre a rigidez, uni-direcionamento e dogmatismo.

Uma relembra-nos do poder que temos dentro de nós, mostra-nos como podemos elevar os demais, multiplica os nossos talentos e como, através deles, encontramos o nosso lugar no mundo.

A outra apequena-nos e aprisiona-nos a um sistema que já não nos serve e que deixamos de questionar por medo ou conformismo.

Empoderamento é liberdade, coragem, evolução colectiva e propósito comum.

Acima de tudo empoderamento é contagioso…

Eu empodero-me. Tu empoderas-te. Nós empoderamos-nos.



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