Empreendedorismo Social

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By Carolina Almeida Cruz, Co-Founder and ON Vision SAPANA.org


Pediram-me para escrever sobre o assunto que todos escrevem e falam. No entanto nunca é de mais ler uma opinião sobre este tema tão popular e imprevisivelmente fashionable. Como nunca o estudei, ou nunca fiz por estudá-lo, vou-vos escrever sobre o que penso com base naquilo que vivi e faço por viver.

Ouvi há bem pouco tempo que um empreendedor era aquele que olha à volta e vê numa ideia, uma oportunidade para ganhar dinheiro. Se isso é empreendedorismo... nunca seria o social. E aqui que ninguém nos ouve, não seria também o verdadeiro empreendedor.

Jobs e Gates queriam que a Informática fosse acessível para todos, Branson queria apenas que artistas desconhecidos tivessem alguma hipótese, Yunus queria proporcionar a hipótese do “crédito” aos mais pobres, e assim como estes, muitos outros certamente.


Para mim, e mais uma vez, ressalvo que este texto é pura e simplesmente uma opinião, os empreendedores são pessoas que acreditam numa causa que engloba a melhoria da qualidade de vida das pessoas à sua volta.

Se essa mesma causa os tornar milionários, fantástico. Se isso não acontecer, mas alcançarem milhões com a sua missão, sinto que cumpriram o papel ao qual se propuseram.
 

O mundo atravessa uma fase difícil, avassaladora e que põe em causa quaisquer antigos paradigmas.


A economia ou a falta dela, tornou-se uma noticia diária; o desemprego é um tema transversal; a expressão “falta de tempo” é substituída por idas aos centros de emprego ou por envio do curriculum das próprias casas. Seria agora que eu diria que não há remédio, ou que estamos numa situação de copo “meio vazio”.


Por oposição a essa visão necrófila, estão os “loucos de Lisboa”, os que acreditam que esta crise financeira é a perfeita altura para se redefinir consciências. É o tempo de olharmos para nós mesmos, e aí sim vermos uma oportunidade de nos conhecermos e sabermos exactamente como queremos atuar e sermos dados como exemplo.

Os verdadeiros empreendedores sociais sabem que não estão sozinhos no mundo, sabem quem são ou/e que papel missionário representam no nosso planeta. Acreditam neles acima de qualquer dogma que lhes foi transmitido. Sentem-se solitários e muitas vezes ilusionistas. Vivem constantemente num mundo ao qual não pertencem, mas no qual têm que estar inseridos para o alterarem.

Acabam no fundo por ser muitas vezes confundidos como outsiders da sociedade, quando no fundo não poderiam estar mais entranhados nela, porque verdadeiramente a compreendem.


Qualquer pessoa poderia ser um empreendedor social, claro que sim; apenas tinha que se assumir como mais um do pelotão da fúria dos pacifistas.


 
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A Carolina é uma empreendedora social que acredita no potencial dos seres humanos. Em 2012 fundou a SAPANA.org e o seu maior desafio é juntar 3 sectores numa única economia conjunta: o privado, o público e o social. A Carolina é apaixonada por novos paradigmas económicos e estuda, lê ou passeia junto ao mar sempre que pode. Podes conectar-te com a Carolina aqui.