Maximiza-te com o Minimalismo

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By Gisel Domingues, Media Analyst


Nunca se ouviu falar tanto de minimalismo como agora. Seja na parte estética e artística, ou de moda e decoração. Adotar um estilo de vida onde ‘menos é mais’, com menos posses materiais e com mais felicidade interior, está a conquistar as pessoas cada vez mais. Incluindo eu.


Na verdade, quando me propus escrever sobre o minimalismo, pensei para mim mesma… “então, mas eu não sou totalmente minimalista…” Não, não sou, mas gosto de pensar que estou a caminhar a passos largos para tal. Na verdade, desde criança que sou desapegada das “coisas” e talvez pela condição financeira não ter sido a melhor, nunca comprei algo de que não precisasse (e muitas das vezes nem comprava o que precisava). Talvez tenha ganho alguma aversão a centros comerciais – um local que evito colocar os pés o mais que possa!


Hoje em dia, assistimos a um consumismo exacerbado em todo o lado e com o marketing a desempenhar bem o seu papel.

 

Ora vejamos: no YouTube, vemos “hauls” de todo o tipo, incitando a comprar roupa, maquilhagem ou objetos de decoração; na televisão e na rádio, há anúncios publicitários de todo o tipo de produtos e serviços… Na realidade, somos, perdoem- me a expressão, “bombardeados” com produtos que na maior parte das vezes não necessitamos mas que nos fazem crer o contrário… Vivemos numa sociedade em que quanto mais tens, mais respeitado e idolatrado és… Estranho, não?


Eu sempre pensei que quando tivesse condições financeiras, iria investir em experiências, em vivências enriquecedoras e nunca quis ter grandes telemóveis, carros, casas ou roupa de grife… E sabem uma coisa? Foi a melhor coisa que fiz!

 

Viajar abriu-me os olhos para algo muito verdadeiro: os que menos têm são os que mais dão e os que são mais felizes!

 

Eu nunca esquecerei quando uma senhora indiana, enquanto me desenhava linhas de uma perfeita sintonia nas minhas mãos (mehendi), contou-me a sua história de vida, que vivia com o seu irmão e a sua mãe na mesma casa, dormiam no chão, numa loja de brinquedos que se tornara também a sua casa. Ela falou-me que tinha uma irmã nos Emirados Árabes Unidos e que vivia bem, e eu perguntei porque não se mudavam para lá. Ao que ela respondeu: “a minha mãe tem 97 anos, já não sai daqui. Mas o que importa é a família, cuidar uns dos outros, são tudo o que tenho e são tudo o que preciso”.

 

O sorriso ao pronunciar tais palavras, ao olhar para o irmão e ele sorrindo também… E, seguidamente, em perfeita sincronia, os dois olharem para mim e chamarem-se de irmã… Nunca esquecerei… E isso mostrou-me que acumular “coisas” é algo que não faz sentido… Pois nós vamos, mas tudo fica… No entanto, não é preciso viajar para entender isso… Basta falar com pessoas com menos posses para perceber que há algo na nossa sociedade consumista que está muito errado…


Eu já vivi em cinco cidades em Portugal e três vezes lá fora e posso dizer que cada vez que ME mudava pensava “mas como é que tenho tanta ‘tralha’?”. Aquela máxima de que o que os olhos não vêem, o coração não sente, também se pode aplicar aqui, pois o que olhos não vêem, tu não precisas. A verdade é que acumulamos de tudo, pelas mais diversas razões “ah um dia pode fazer falta”, “ah isto lembra-me de tal coisa”… Sou culpada disso, confesso… Mas desde que comecei a viajar com uma mochila às costas, e que comecei a deixar a minha roupa e bijuteria por onde quer que fosse, que senti uma liberdade…

 

É estranho, mas quando menos tens, menos necessidade tens de ter algo.

 

Posso falar de alguns benefícios que obtive quando comecei a praticar alguns princípios do minimalismo:


1) Liberdade:

Aqui falo de outro tipo de liberdade. Daquela que tu sentes quando não entras no ciclo vicioso do consumismo. Porque na verdade, acaba por ser um vício. Somos insatisfeitos por natureza, e vamos sempre acabar por comprar mais e mais e melhores “versões” do que já temos. Estamos continuamente a comparar-nos com os outros, com o que são e com o que têm. Ficar livre de comparações e invejas é uma serenidade interior inexplicável.

 


2) Aumenta a felicidade e gratidão:

Este ponto conecta-se com o anterior. Um dia li “livra-te de tudo que não precises mais, seja no teu bolso, na tua casa ou no teu coração”. Larga tudo o que não te faz realmente falta e isso vai-te permitir focar em ti mesmo, no teu desenvolvimento pessoal.

 


3) Concentração e eficácia:

Vocês já fizeram a experiência de entrar numa sala cheia de objetos e quadros e depois entrar numa sala com praticamente nada? Provavelmente sentiram-se, na primeira sala, um pouco agitados, dado que o cérebro estaria a receber estímulos de todo o lado. Já na segunda sala, sentir-se-iam bem mais calmos. O que quero dizer com isto é, se precisam de se focar em algo, tenham um espaço sem muitos objetos. Garanto que o foco melhora e muito, já que as distrações não são tantas. Às vezes podes pensar que és uma pessoa desorganizada, quando na verdade, tens demasiadas coisas ao teu redor que não necessitas.

 


4) Poupança:

Pois claro, se menos compras, mais dinheiro poupas.

 


5) Impacto ambiental:

Quanto menos consomes, menos recursos naturais serão usados.

 

 

Há certas atitudes que tomo que também vão de encontro aos princípios deste estilo de vida. Nomeadamente, não compro algo em saldos só por ser mais barato; tento comprar itens que durem mais; tenho os meus produtos de limpeza caseiros; dou presentes que não sejam físicos mas antes experiências ou algo mais pessoal; uso uma garrafa de água reutilizável (que não de plástico) e palhinhas de bambu ou inox (e não de plástico), reciclo roupa que já foi da minha mãe e mesmo minha, fazendo algumas alterações…

 

Eu também sou uma ávida consumidora de livros mas não me recordo da última vez que comprei um livro. Na verdade, tenho sempre alguém quem me ofereça ou peço emprestado a amigos ou mesmo em bibliotecas. Estas são algumas estratégias que fui adotando aquando da minha real perceção do estilo de vida que mais me faz feliz.


Minimalismo não significa que não podes ter coisas, mas sim que deves ter a quantidade exata de coisas que realmente necessitas. Será que precisamos de tantas posses materiais, como nos fazem pensar, para sermos felizes?

 

Talvez, pouco signifique muito, menos signifique mais, e nada signifique tudo.

 

Talvez, o mínimo é somente o necessário para atingirmos o nosso máximo…

 


 
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A Gisel é uma apaixonada por viagens e por culturas. Mas é, sobretudo, apaixonada por aprendizagens sejam elas pessoais, académicas, experienciais, intelectuais ou emocionais. Talvez seja por isso que tenha quatro diplomas universitários (dois na área das Relações Internacionais e Política; e outros dois na área empresarial), e que tenha trabalhado em diversas áreas desde Marketing ao Ensino, de Business Broker ao Ministério da Justiça. Neste momento, a Gisel é uma ‘digital nomad’, trabalha como Media Analyst e fá-lo em qualquer parte do mundo, desde que tenha um computador e internet. Assim, consegue aliar a sua paixão por viagens com a liberdade que o seu trabalho lhe dá, e ao mesmo tempo dedicar-se a projetos seus relacionados a causas humanitárias. Podes conectar-te com a Gisel aqui