Para Fazer Diferente em 2018

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By Susana Vie, Instrutora de Yoga & Pilates


“Vitaka bádhanê pratipaksha bhávanam.”

“Quando surgirem pensamentos indesejáveis, estes podem ser vencidos convivendo-se com os seus opostos.”

Frase do livro YÔGA SÚTRA, de Pátañjali, traduzido por DeRose (Editora Nobel), o livro de Yoga mais conhecido, respeitado, lido e traduzido em todo o mundo.

Nesta altura do ano onde há muita reflexão, é necessário falar sobre mudança de comportamentos. Quando preciso de mudar algo e não sei por onde começar, lembro-me desta frase de Pátañjali, o pai do Yoga Clássico. Aprendi-a durante a minha formação como instrutora de Yoga e, basicamente, diz-nos para aprendermos a conviver com os opostos.

Distraio-me e divago com facilidade, por isso, houve uma necessidade em mim de contrariar essa natureza e criar alguma disciplina mental.

A disciplina, como todos já perceberam, não é uma palavra muito mágica, mas se quisermos cultivar algumas habilidades e aprender a sintonizar o eu profundo, então é preciso desenvolver uma prática diária, dedicar tempo a essa tarefa e firmar-se nela.

Todos os dias temos conversas incessantes connosco mesmos nas nossas mentes. Essa comunicação connosco governa a nossa vida e afeta o nosso bem-estar geral. Quando acontece algo de bom nas nossas vidas o diálogo interno é positivo e animado e essa vibração impulsiona-nos a agir e faz-nos avançar.

Mas e se as coisas não estão a seguir o caminho que desejamos?

É nestes momentos que precisamos de reavaliar as conversas internas e vigiar as coisas que dizemos a nós mesmos.

Todos já experimentámos momentos na nossa vida onde estávamos felizes e os nossos pensamentos eram energéticos e, quando isso acontece, manifestamos uma grande energia e entusiasmo. Quando nos alimentamos de pensamentos corajosos mostramo-nos corajosos e seguimos adiante, ao passo que quando temos pensamentos inseguros e de medo, tendemos a fracassar.

É comum ouvir dizer que é difícil mudar a maneira de pensar e a nossa primeira reação quando percebemos que estamos num pensamento negativo é de autocrítica ou autocensura. Queremos apagá-lo da nossa mente e ficamos a moer-nos por termos deixado que ele surgisse.

No entanto, em vez de se autocriticar e querer eliminar o pensamento negativo que surgiu na sua cabeça, sugiro que perceba que na natureza não há vácuo e que uma coisa deve ser imediatamente substituída por outra. Ou seja, em vez de querer eliminar algo, esse algo deve ser substituído imediatamente por outra coisa. Outra coisa com uma vibração mais positiva. Não tente fazer desaparecer um pensamento negativo e deixar um vazio. É necessário um pensamento com uma vibração oposta para ocupar o seu lugar.

Todos os pensamentos, quer sejam fracos ou fortes, bons ou maus, sãos ou doentios, projectam-se como ondas vibratórias, e são essas que exercem a sua influência sobre a nossa forma de agir no mundo e com as pessoas com quem nos relacionamos ou que de nós se aproximam. É dessa vibração que vem o nosso magnetismo, como uma corrente que emana do nosso corpo e atrai tudo o que se acha no seu campo magnético. Tente perceber que tipo de coisas está a atrair e, agora, perceba que isso não acontece por acaso.

Todos os pensamentos que emitimos têm um poder mais ou menos considerável, conforme a energia, a força ou o entusiasmo que estamos a sentir. O poder do nosso pensamento desenvolve-se com os exercícios de concentração, do mesmo modo que os nossos músculos se desenvolvem mediante uma ginástica regular e assídua.

Temos, então de aplicar a disciplina, a palavra pouco mágica. Algumas das técnicas de Yoga que ensino, de respiração ou meditação, podem ser praticadas uma ou duas vezes por dia, durante 1 a 20 minutos. Mas este exercício mental em particular pode ser feito em permanência e requer apenas uma monitorização constante da sua mente, até se tornar parte de si.

Cada pensamento gera uma acção posterior, e essa acção vai gerar uma reacção. Quando começamos a exercitar a mente para níveis de consciência mais altos, percebemos como as coisas começam a mudar e, ao tomarmos consciência disso, compreendemos o conceito de causa e efeito, que no Yoga chamamos de Karma: toda a acção gera uma reação. Essa perceção obriga-nos a assumir a responsabilidade daquilo que nos acontece.

Então, quando um pensamento negativo surgir, mude esse pensamento para uma frequência mais alta, não importa que pensamento decidiu escolher, escolha qualquer um que o faça sentir-se bem e animado. Não fique a questionar a causa do pensamento negativo. O que importa, neste momento, é elevar a frequência.

Se é agressivo, ou se expressa de forma agressiva, ou se é daquelas pessoas que, numa conversa descontraída de café, se orgulha de dizer que se irrita com facilidade, saiba que isso não afecta só o ambiente à sua volta mas principalmente a energia que emana. Eventualmente vai atrair exactamente essa mesma energia para si.

Quando algo de bom acontece na nossa vida, pensamos que o mérito é nosso e não foi pura sorte, mas por trabalho árduo. Quando finalmente percebemos que “tudo o que vai, volta” vamos sentir-nos também responsáveis pelo que nos acontece de menos positivo e deixar de acreditar que foi só azar.

Percebi que quando criticava e me irritava com tudo, isso não passava de uma reacção exagerada a estímulos que outras pessoas conseguem tolerar melhor. Havia um desgaste pessoal, uma sensação de intolerância ao que incomoda. A longo prazo, isso afecta as nossas relações interpessoais.

Voltado ao tema, se sente que precisa de mudar alguma característica, Patañjali explica:

“Ahimsá pratishtháyám tat samnidhau vaira tyágah”.

“Quando se vivencia a não-agressão, a hostilidade desaparece na nossa presença.”

Para mudar qualquer característica na nossa personalidade é preciso conviver com o seu oposto. Se responde de forma agressiva aos outros, pare e respire, dê uma reacção contrária. Será complexo ao início, mas essa negatividade/agressividade em pouco tempo irá desaparecer. Pode aplicar este conceito em qualquer tarefa na sua vida que exija mudança. Este pode ser o primeiro passo a dar.

Boa práticas e boas resoluções para 2018.


 
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A Susana é instrutora de Yoga e Pilates em Lisboa. Actualmente, dá aulas de grupo em vários Health Clubs, assim como aulas privadas de Yoga. A Susana faz também aconselhamento de treino bem como orientação privada para aqueles que precisam de assistência personalizada em áreas como bem-estar e elevado desempenho no desporto e nos negócios. Podes encontrar a Susana no seu blog pessoal:  www.susanavie.com.

 

 

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